• Portugais Poesias

    Mario De Sa-Carneiro

    Mário de Sá-Carneiro nasceu em Lisboa, em 19 de Maio de 1890 e suicidou-se em Paris, em 26 de Abril de 1916. A presente obra contém: Dispersão, Indícios de Oiro e o poema Manucure.


    Não sou amigo de ninguém. P'ra o ser
    Forçoso me era antes possuir
    Quem eu estimasse - ou homem ou mulher,
    E eu não logro nunca possuir!...

  • O QUE É A REALIDADE? "A Estranha Morte do Professor Antena" é uma história misteriosa entre Sherlock Holmes e Edgar Allan Poe.

  • "As grandes casas às escuras onde nunca entrara e que, no entanto, bem conhecia de as percorrer iluminadas - eu, do meu leito, imaginava-as, criava-as agora no silêncio e na treva, fantásticas: terrificantes e maravilhosas. Pensava: «Oh!, a glória de passear nelas por esta solidão, de tatear o que haverá dentro delas!...» E vinham-me ideias de, sorrateiramente, descalço, para as criadas não sentirem, erguer-me da minha pequena cama branca de taipais e partir a visitá-las... Mas era mais forte do que a ânsia o meu pavor... Escondia a cabeça debaixo dos lençóis, mesmo de verão, até que adormecia esquecido, fundamente."

  • "Por 1895, não sei bem como, achei-me estudando Direito na Faculdade de Paris, ou melhor, não estudando. Vagabundo da minha mocidade, após ter tentado vários fins para a minha vida e de todos igualmente desistido - sedento de Europa, resolvera transportar-me à grande capital. Logo me embrenhei por meios mais ou menos artísticos, e Gervásio Vila-Nova, que eu mal conhecia de Lisboa, volveu-se-me o companheiro de todas as horas. Curiosa personalidade essa de grande artista falido, ou antes, predestinado para a falência."

  • Ressurreição

    Mario De Sa-Carneiro


    "Sim, Inácio de Gouveia em verdade não tinha razões para se queixar da existência. (...) Não haveria mãos enastradas nem lábios para morder, nem afetos ou amores - uma multidão de insignificâncias violetas, risonhas, carinhosas. Mas, a compensá-las, havia grandes maços de jornais, os volumes sagrados da sua biblioteca, e, sobretudo, as suas obras - ah! as suas obras"

    "Uma noite, casualmente, [Inácio] encontrara-se num pequeno teatro vermelho para Montmartre, bocejando o seu tédio. (...) entre as intérpretes da revista idiota, os seus olhos fixaram-se numa dançarina meia nua - esplêndida, duma beleza enclavinhada: corpo agreste, musculoso, seios oscilantes, pequenos e esguios" e Inácio apaixonou-se.

    Também "Étienne Dalembert, incerto comediógrafo e jovem ator mais incerto que [Inácio] mal conhecia", se deixa fascinar pela mesma bailarina. E é este sentimento comum, que os deveria afastar como rivais, que estranhamente os une, porque Étienne, "pelo menos, fora sensível ao que ele próprio sentira..."

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