Sciences humaines & sociales

  • Tendo em conta que religião e religiosidade se direcionam a algo aparentemente intangível, cuja realidade empírica está longe de ser clara (McGuire, 2008), a procura de inteligibilidade sobre esta matéria suscitou, desde os tempos mais remotos, tanto de fascínio quanto de interrogação. Procurando o entendimento da religiosidade enquanto fator social, contributivo de construções de sentido do sujeito (Spilka, Hood, Hunsberger, & Gorsuch, 2003; Taylor, 1998), o presente trabalho representa um esforço de articulação entre duas esferas que acompanham o homem desde os primórdios da sua existência: a religiosidade e o otimismo.
    Enquanto promotora do otimismo pessoal, a religiosidade conferiu-se delineadora dos três estudos empíricos, que viabilizaram o teste das quatro hipóteses de investigação que se publicam neste volume.

  • O Regimento Proveitoso contra a Pestenença é um pequeno incunábulo em Português, impresso em Lisboa por Valentino de Morávia na última década do século XV. O autor do opúsculo, a confiar na nota introdutória, foi D. Raminto, bispo Arusiense, do reino da Dácia. A obra tem dois objectivos fundamentais: um profiláctico, tendo como alvo aqueles que não foram ainda contagiados pela peste; e um terapêutico, dirigido aos que trabalham e lidam com os pestosos.
    Diz o autor: «Em tempo de pestilência melhor é estar em casa que andar fora, nem é são andar pela vila ou cidade. E também a casa seja aguada, e em especial em o alto Verão com vinagre rosado e folhas de vinhas; e isso mesmo é muito bom amiúde lavar as mãos com água e vinagre, e alimpar o rostro e despois cheirar as mãos; e também é bom assim em o Inverno como no Verão cheirar cousas azedas. Em Monpelier não me pude escusar de companhia de gente, porque andava de casa em casa curando enfermos por causa da minha pobreza, e então levava comigo uma esponja ou pão ensopado em vinagre, e sempre o punha nos narizes e na boca, porque as cousas azedas e os cheiros tais opilam e çarram os poros e os meatos e os caminhos dos humores e não consentem entrar as cousas peçonhentas; e assim escapei de tal pestilência, que os meus companheiros não podiam crer que eu pudesse viver e escapar. Eu certamente todos estes remédios provei.»

  • A História do mui Nobre Vespasiano Imperador de Roma foi acabada de imprimir em Lisboa por Valentino de Morávia em 20 de Abril de 1496. No ano anterior, com o patrocínio da rainha Dona Leonor, esposa do rei D. João II, Valentino de Morávia, com a colaboração de Nicolau da Saxónia, imprimia a Vita Christi. É provável que o projecto da edição da História de Vespasiano estivesse já em curso, pois é uma espécie de continuação da Vita Christi. Não é por acaso que a História de Vespasiano surge apensa no final da mesma obra numa versão francesa impressa em Ruen em 1488. Por outro lado, é possível que a doença de que o rei D. João II sofreu nos últimos anos de vida fosse o motivo impulsionador da impressão da obra. De facto, há uma similitude entre essa e a doença de Vespasiano.
    Na História de Vespasiano é contado que o imperador Vespasiano tinha a lepra. Foi-lhe dito que, se se convertesse ao cristianismo e renunciasse aos ídolos, seria curado. E assim aconteceu. Como agradecimento pela cura milagrosa e num zelo vingador, o imperador decidiu destruir Jerusalém e castigar os Judeus pela morte de Cristo. A cidade foi arrasada e os seus habitantes mortos. Os poucos que restaram foram dispersos. No final, Vespasiano baptiza-se em Roma e arrasta consigo todo o povo, para gáudio do papa São Clemente, que assim via crescer de um momento para o outro o número de fiéis. Como uma boa história, nesta há também um vilão, Pilatos, governador de Jerusalém que, por ter condenado Cristo à morte e por ter deixado de pagar o tributo ao imperador, é também condenado e acaba por morrer preso numa casa que se afunda milagrosamente no meio de um rio. (Da Introdução.)
    O livro, além do estudo introdutório, contém a edição de Lisboa de 1496, a edição de Paris de c. 1475, a edição de Toledo de c. 1492, a edição de Sevilha de 1499 e uma edição com a ortografia actualizada. A estas edições, acresce a lematização do vocabulário da versão portuguesa.

  • É história que trata dos grandes e assinados feitos do excelente e invencível capitão muito ilustre conde D. Duarte de Meneses, conde de Viana, capitão e governador de Alcácer em África, alferes-mor do invictíssimo rei D. Afonso de Portugal de perpétua memória, a qual foi primeiramente junta e escrita por Gomes Eanes de Zurara professo cavaleiro e comendador da Ordem de Cristo e cronista do dito senhor rei, e guarda-mor do tombo de seu reino.

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