Edições Vercial

  • Portugais Poesias

    Mario De Sa-Carneiro

    Mário de Sá-Carneiro nasceu em Lisboa, em 19 de Maio de 1890 e suicidou-se em Paris, em 26 de Abril de 1916. A presente obra contém: Dispersão, Indícios de Oiro e o poema Manucure.


    Não sou amigo de ninguém. P'ra o ser
    Forçoso me era antes possuir
    Quem eu estimasse - ou homem ou mulher,
    E eu não logro nunca possuir!...

  • Era uma vez um rei que tinha três filhas. Um dia ele e as filhas foram convidados para uma festa no reino vizinho. Nesse reino havia um príncipe que andava à procura de noiva. Quando as filhas do rei souberam do convite, logo se entusiasmaram e fizeram planos para conquistar o príncipe. No dia da festa, elas vestiram-se com os melhores vestidos, montaram cada uma o seu cavalo e partiram em segredo. Quando o rei se preparava para sair, perguntou à criada pelas filhas, ao que ela responde que já tinham partido, pois não queriam chegar atrasadas.

  • O Sonho da Terra é um romance ofuscante, sobre trabalhadores numa mina misteriosa onde devem permanecer encerrados durante dois anos. Para escapar àquele mundo opressivo e asfixiante, contam histórias de amores frustrados, vinganças, sonhos e bruxarias, que são registradas pelo Narrador, de alcunha Quatroio. Temperado com cenas escatológicas e picarescas, salpicado de sub-enredos em que os leitores têm reconhecido obras literárias clássicas, passagens bíblicas, romances de aventuras, velhos seriados cinematográficos e filmes contemporâneos, e incluindo feitiços e seres mitológicos ao lado de invenções como a Máquina de prazer, O Sonho da Terra é um desfile em que um sentido de humor muito brasileiro leva a um contínuo riso rabelaisiano, como chicote de crítica social. A narrativa, essencialmente oral, molda-se num dialeto literário que evoca muitos estilos distintos, entre eles o português popular brasileiro.

  • Dividido em nove livros, o romance apresenta uma personagem que, ao longo dos 500 anos da história do Brasil, vai se metamorfoseando em diferentes seres. Começando como um dos degredados da esquadra de Cabral, transforma-se num boto, num escravo negro, num inconfidente, num poeta romântico, numa mulher, etc. A linguagem do romance, por isso mesmo, procura mimetizar diversos estilos de época - o quinhentista, o barroco, o arcádico, o romântico, etc. -, que representam os principais aspectos da realidade social e cultural brasileira.

  • A Vita Christi de Ludolfo de Saxónia (ca. 1295-1377) foi impressa em Lisboa em 1495 por Valentino de Morávia e Nicolau de Saxónia em três volumes, por ordem da rainha Dona Leonor. A tradução para o Português deveu-se muito provavelmente ao rei D. Duarte, que a supervisionou. A obra, como é dito no prólogo, «contém todolos mistérios da fé católica, segundo a escritura dos quatro evangelistas e notários cristículos, com verdadeiras e devotíssimas exposições de diversos doctores egrégios, devotos e mui gloriosos.». A edição que agora se publica é a transcrição da edição de 1495, cotejada com a edição de Augusto Magne. A Vita Christi foi considerado o primeiro livro impresso em Língua Portuguesa até à descoberta do Sacramental (1488) e do Tratado de Confissom (1489).

  • Les études réunies dans cet ouvrage portent sur des oeuvres d'auteurs portugais pour la plupart. Au fil des textes, le lecteur voyagera à travers différentes époques et d'une aire géoculturelle à l'autre en compagnie de Bernardim Ribeiro, Camilo Castelo Branco, António Aleixo, Vergílio Ferreira, Hugo Santos, Lídia Jorge, Suleiman Cassamo et Graciliano Ramos. Certaines oeuvres abordées dans ce livre sont disponibles en français sous les titres suivants : Mémoires d'une jeune fille triste ou le livre des solitudes, Matin perdu, La Couverture du soldat, Le Retour du mort de l'écrivain mozambicain Suleiman Cassamo, et Enfance du romancier brésilien Graciliano Ramos. Plusieurs genres littéraires sont représentés : théâtre et poésie populaires, nouvelle, roman psychologique, roman autobiographique, roman policier.
    Les relations culturelles luso-brésiliennes et la conquête du marché du livre au temps de Camilo Castelo Branco, la représentation de la femme, la critique de la société salazariste, le passage de l'enfance à l'âge adulte, la quête du père, la quête du sens et la mémoire sont quelques-uns des thèmes abordés dans les articles ici rassemblés.

  • Les études réunies dans cet ouvrage portent sur la représentation de l'idéologie et de l'utopie dans le discours littéraire, et plus précisément dans des oeuvres d'auteurs portugais, brésiliens et africains.
    Au fil des textes, le lecteur voyagera à travers différentes époques et d'une aire géoculturelle à l'autre en compagnie de Manuel Alegre, Luís de Magalhães, Ernesto Biester, Arnaldo Gama, Francisco Xavier de Oliveira, Miguel Sanches Neto, Moacyr Scliar, Pepetela, et Ondjaki. Certaines oeuvres abordées dans ce livre sont disponibles en français sous les titres suivants : Babylone, du poète et écrivain portugais Manuel Alegre, ainsi que Bonjour camarades, du romancier angolais Ondjaki. Plusieurs genres littéraires sont représentés : théâtre, poésie et roman.
    Ce livre sur l'idéologie et l'utopie vise à mettre en évidence des thèmes et des figures utopiques et à interroger les relations entre l'art et l'utopie, entre l'idéologie et l'utopie et enfin entre l'utopie et la contre-utopie ; il cherche à montrer que l'auteur, engagé ou pas, homme politique ou non, a parfaitement conscience de la distance irréductible qui sépare la fiction littéraire de l'action politique.


  • "Luís da Cunha era trigueiro; tinha a pele bronzeada da cara pegada aos ossos, que lhe saíam, principalmente os malares, em proeminências cadavéricas. Os bordos das órbitas muito salientes contribuíam muito para que o brilho dos olhos negros e grandes luzisse mais na escuridão das cavernas, debruadas sempre de um anel bastante escuro para destacar da cor geral de azeitona. O nariz era notável pela ausência total do cavalete. A boca não se lhe via, coberta pelo bigode espesso, que se não encaracolava nas guias, e caía em luzentes recurvas sobre ambos os lábios. Ora aqui está o que é um homem feio. Perguntava muita gente a razão fisiológica da cor africana de Luís, tão diversa da alvura inglesa de seu pai João da Cunha e Faro, que, por esse tempo, contava quarenta e cinco anos, e passava ainda por um dos belos homens de Lisboa."
    Texto segundo o Novo Acordo Ortográfico.


  • "Não tem pretensões a obra de literatura este livro. Escrito sem preocupação da forma, é a fiel reprodução do meu diário de viagem.
    Cortei nele muitos episódios de caçadas, e outros, que um dia, no descanso, produzirão um volume de caráter especial. Busquei sobretudo fazer realçar o que mais interessante se tornava para os estudos geográficos e etnográficos, e se não me pude eximir a narrar um ou outro dos muitos episódios dramáticos que abundaram na minha fadigosa empresa, foi quando a esses episódios se ligavam factos consequentes, de importância, já para alterar o itinerário projetado, já determinando demoras, ou marchas precipitadas, que seriam incompreensíveis sem a exposição das causas determinantes.
    À Europa, e em geral ao homem que nunca viajou nos sertões do interior de África, não é dado compreender o que se sofre ali, quais as dificuldades a vencer a cada instante, qual o trabalho de ferro não interrompido para o explorador.
    As narrações de Livingstone, Cameron, Stanley, Burton, Grant, Savorgnan de Brazza, d'Abbadie, Ed. Mohr e muitos outros, estão longe de pintar os sofrimentos do viajante africano. Difícil é compreendê-lo a quem o não o experimentou; àquele que o experimentou difícil é descrevê-lo."

  • "À Europa, e em geral ao homem que nunca viajou nos sertões do interior de África, não é dado compreender o que se sofre ali, quais as dificuldades a vencer a cada instante, qual o trabalho de ferro não interrompido para o explorador.
    As narrações de Livingstone, Cameron, Stanley, Burton, Grant, Savorgnan de Brazza, d'Abbadie, Ed. Mohr e muitos outros, estão longe de pintar os sofrimentos do viajante africano. Difícil é compreendê-lo a quem o não o experimentou; àquele que o experimentou difícil é descrevê-lo.
    Não tento mesmo pintar o que sofri, não procuro mostrar o quanto trabalhei, que me façam ou não a justiça de que me julgo merecedor aqueles que examinarem os meus trabalhos, hoje é isso para mim indiferente; porque me convenci de que só posso ser bem compreendido pelos que como eu pisaram os longínquos sertões do continente negro, e passaram os maus tratos que eu por lá passei."

  • Na Memória das Estrelas sem Brilho, conta-se a história de um estudante universitário que é obrigado a interromper o curso para comandar um grupo de expedicionários que o governo português em 1917 enviou para as trincheiras da Flandres. A sua trajectória e a dos homens que comanda, nas pequenas e grandes misérias de que foram vítimas e na ligação ao que deixaram e ao que perderam, resulta num retrato emocionante e autêntico de um dos períodos mais conturbados da sociedade portuguesa. Romance de guerra, mas também romance de amor, Memória das Estrelas sem Brilho relata a tão inútil quanto obstinada busca da paz e da felicidade através de um caminho de escombros e flores cortadas, capacho do tempo e dos seus caprichos. Afirma o crítico Milton Azevedo que, «além de seu valor literário como narrativa de ficção propriamente dita, constatável à primeira leitura, o romance tem grande interesse como retrato da sociedade portuguesa, que forma o background da narrativa. O narrador, homem de seu tempo (ou tempos) e classe social, tem uma visão tão nítida da sua sociedade quanto é possível esperar de alguém que nunca pôde sair dela para observá-la de fora. É, portanto, uma visão naïve, informada apenas por elementos colhidos dentro daquela sociedade. Mas é uma visão arguta, porque o narrador é um indivíduo inteligente e lúcido. E complementada, é claro, pela visão, indirectamente transmitida ao leitor, do Rato, que é um verdadeiro co-protagonista (e não apenas um sidekick) - um pouco, mutatis mudantis, como Sancho Pança, sem o qual o Quixote ficaria impensável.»

  • O padre da Gralheira aparece morto na cama em Dezembro de 1943. O sacristão chama o regedor, autoridade policial da freguesia, que toma conta da ocorrência. Este procede a uma série de averiguações que vão fazê-lo ponderar na hipótese de se tratar de um crime. Vem a saber que o clérigo tinha como amante uma mulher casada. O marido, um rico proprietário que frequentava amiúde um bordel, poderia tê-lo mandado matar por despeito. Tudo se complica, porém, quando o regedor descobre que o clérigo era receptador do volfrâmio roubado da mina explorada por uma companhia alemã e suspeita que o crime, se o houve, não fora cometido por questões de honra, mas por dinheiro. Entretanto, luzes estranhas vistas durante a noite adensam um mistério que vai sendo mal interpretado. Sobre a aldeia, retrato de um país atrasado e rude, paira a ameaça da guerra. A ela se devia a periclitante situação económica vivida pelos mais pobres, com o racionamento dos produtos essenciais, as requisições obrigatórias das colheitas pelo Grémio, a revolta das populações e a repressão do governo. A ex-amante do padre, carioca transplantada para os nevoeiros da Gralheira, dá um ar de graça à história, vivendo amores, incentivando-os e protegendo-os. É ela a verdadeira heroína, que contrapõe o amor à guerra e aos interesses mesquinhos dos homens. Este é um romance de mistério, onde afinal o único mistério, num confronto directo com a literatura da moda, é não haver mistério nenhum.



  • A urdidura deste romance, que afoitamente denominamos histórico, deu-no-la um manuscrito que pertenceu à livraria do secretário de estado Fernando Luís Pereira de Sousa Barradas.
    O coletor destes apontamentos, que a história impressa, respeitando as conveniências, omitiu, foi contemporâneo dos sucessos que arquivou, pois escrevia em 1648.
    De lavra nossa, neste romance, há apenas os episódios que me saíram ajustados e congruentes com os traços essenciais da narrativa.

    Texto segundo o Novo Acordo Ortográfico.

  • Portugais O mar de Paula

    Jorge Tinoco

    «Observo ao longe no horizonte, para lá do papel, as pequenas silhuetas dos barcos que partem e me interpelam dos tantos portos que existem depois do que não podemos ver ou entender perenemente, depois do que não sabemos definir como ausência ou persistência, como voz perceptível de povo indígena ou gente mítica. De forma que experiencio, como que outra vez numa só vez, as mil vezes diferentes em que fui feliz aqui, nesta verdade enredada ou neste enredo da verdade, junto às ondas que nunca se interrogam se são água ou maré ou espuma ou loucura ou invenção...

    Que me importa então o que sou, se tenho, ainda que transitória ou volátil, esta ciência sabida de que só a falta de amor e companhia nos assombra e adoece, nos atribula o vazio que em lugar de sentir interroga em demasia a intensidade do abraço? Que me importa, pois, quando por outras palavras o repito que, mesmo que eu fosse ficção, esta experiência da mulher e do afecto me bastaria para justificar a criação da vida? Por isso é apenas novamente o mar de Paula que revejo a esta hora bendita das gaivotas sobre as rochas! E, no outro lado de tudo, na outra metade do nada: o que será Susana, o que serão as miúdas, o que será Paula, o que serei eu, o que serás tu, o que seremos todos no coração dilacerado dos capítulos, no ventre insondável das páginas?»

  • A Planta Carnívora é a continuação do romance O Cavaleiro da Torre Inclinada do mesmo autor. Nesta segunda parte, Marco Túlio Ferreira, professor universitário, abandona a família e vai viver sozinho. A ex-esposa reconhece que a separação, baseada num adultério de que não tem provas, foi precipitada e procura convencê-lo a regressar a casa. Ele, no entanto, vai adiando a decisão. Além da amiga brasileira Dulce Nara que aparece na primeira parte, envolve-se com uma jovem austríaca especialista em plantas carnívoras, uma professora de História Medieval que gosta de heavy metal, duas novaiorquinas que praticam o swing e uma freira com dúvidas. A obra é mais uma hilariante coleção de cenas da vida académica.

  • Abriam as celas para um vasto corredor. Em cada porta via-se a imagem do santo ou santa cujo nome apadrinhava as freiras. O nome com que saíram de suas famílias esquecera, fora absorvido no outro. Com renunciarem ao século, haviam também abjurado nome de mãe, de pai e de irmãos: era mister que tudo se renovasse, que tudo morresse, para renascer sob outro aspeto. Nenhuma dessas portas tinha chave, para que a toda a hora a prelada e mestra de noviças inspecionassem o dormir de suas filhas em Jesus Cristo.
    Texto segundo o Novo Acordo Ortográfico.

  • Esta colectânea de contos infantis contém seis histórias: O sapo envergonhado, que dá o título à obra; - O galo que desejava correr mundo; - A bruxa e o caldeirão; - A vendedora de cebolas; - A princesa feia; - e O príncipe do Reino Estranho. São histórias baseadas nas personagens dos contos tradicionais, onde fadas, bruxas, reis, príncipes, princesas e animais se encontram em mil e uma trapalhadas que fazem as delícias das crianças. A primeira começa assim:
    «Era uma vez um sapo que vivia no seu charco feliz e despreocupado. Tinha o seu nenúfar particular, onde se postava a apanhar banhos de sol e a comer moscas que distraidamente violavam o seu espaço aéreo. Uma vez por outra, partilhava o nenúfar com uma fêmea do charco. Coaxava a tarde toda para ela e oferecia-lhe as moscas varejeiras mais suculentas que conseguia caçar. A fêmea ficava encantada e agradecia-lhe com um piscar de olhos e um coaxar lento e sedutor. Era uma bela vida. Mas um dia a paz terminou».

  • In his book "The Study Of Ancient Times In The Malay Peninsula", Dato Sir Roland Braddell (1880-1966) writes, "No statement could be more untrue or more unwise than that Malaya has no history". This dense work of 458 pages (reprinted edition no. 7 by MBRAS in 1989), from Dato Sir Braddells's studies appearing in the "Journal of Asiatic Society", between 1935 and 1951, is followed by 50 pages of notes on the historical geography of Malaya and sidelights on the Malay Annals by Dato F.W. Douglas, a contemporary of Braddell.
    Sir Roland examines the book VII of "Ptolemy's Geographica" written about 160 AD, which sends us back to the land of Ophir of the Bible, also called "Golden Chersonese", where gold of higher purity had already been found around 3000 years ago in today's Pahang.
    As to the human presence, the "Malay Orang", "being an islander", (he) was able to sail the Eastern seas long before the people of the mainland could; and by such contacts achieved a higher state of civilization: he took the products of this area, gold, incense, spices and the Malayan jungle fowl with him and then the people of other countries came here", according to F.W. Douglas in the conclusion of his foreword, dated 15.1.1949. Malays are therefore inborn sea traders.

  • Portugais Sermões

    António Vieira

    O volume, com o texto atualizado segundo o Novo Acordo ortográfico, contém os seguintes sermões do Padre António Vieira: Sermão da Sexagésima; Sermão da Quarta-feira de Cinza; Sermão da Terceira Quarta-feira da Quaresma; Sermão da Quinta Dominga da Quaresma; Sermão de Santo António; Sermão de S. Pedro; Sermão de Santo Inácio; Sermão do Bom Ladrão; Sermão do Nascimento da Virgem Maria; Sermão da Glória de Maria, Mãe de Deus; Sermão dos Bons Anos; Sermão do Mandato; Sermão pelo Bom Sucesso das Armas de Portugal contra as de Holanda; Sermão da Primeira Dominga do Advento - I; Sermão da Primeira Dominga do Advento - II.

  • "O Cavaleiro da Torre Inclinada", com o subtítulo de "Cenas da Vida Académica", conta as aventuras de um professor a trabalhar numa hipotética universidade portuguesa. Os académicos são, como ele próprio refere, os novos cavaleiros da era moderna. «Assim como os cavaleiros da Idade Média, paladinos da virtude, andavam de terra em terra castigando pelo fio da espada os vilões e os arrogantes, assim nós, paladinos da ciência, andamos de congresso em congresso divulgando o conhecimento e denunciando os charlatães», diz ele a um dos seus colegas. O professor, especialista na história do adultério, vai implementando na sua vida de novo cavaleiro andante os conhecimentos adquiridos. O relacionamento que mantém com colegas espanholas, belgas e brasileiras leva, de uma forma profícua e salutar, ao intercâmbio do saber e ao avanço da ciência. Escrito num tom divertido, mas bastante realista, O Cavaleiro da Torre Inclinada é um romance que retrata a universidade portuguesa, ou pelo menos uma parte dela, e denuncia a praxis de tradição medieval e inquisitorial que faz dela uma das mais retrógradas da Europa.

  • "Jardim sem Muro" é uma colectânea de dezanove contos. As personagens baseiam-se nalguns dos tipos da sociedade portuguesa actual, aparecendo vendedores de automóveis em segunda mão, comerciantes de tintas e vernizes, empreiteiros, serralheiros, canalizadores, carpinteiros, electricistas, professores do ensino secundário, funcionários das Finanças, estudantes de Psicologia, reformados, emigrantes, agentes de segurança, viciados na Internet, coleccionadores de selos e moedas, especialistas em ciências ocultas, frequentadores de casas de alterne e respectivas funcionárias. Os políticos, por evidente falta de utilidade na sociedade, são das poucas figuras com que o autor não perdeu tempo nem gastou papel. Os contos, escritos num tom divertido, deixam transparecer o sorriso sarcástico de Eça de Queirós e o piscar de olho malandro de David Lodge.

  • O Livro das Confissões foi terminado em 1316 por Martín Pérez, um clérigo castelhano de grande cultura canónica e teológica. É uma extensa obra de cariz pastoral dedicada aos «clérigos minguados de ciência» e aos que se « acham brutos e minguados e buscam das migalhas que caem das mesas dos que são ricos de letras », como o próprio autor indica no Prólogo. Foi uma das obras que, dentro do género, mais circulou entre o clero e os intelectuais ibéricos durante o século XIV e a primeira metade do século XV. Foi traduzida para português em 1399 por monges do Mosteiro de Alcobaça, tendo chegado até nós uma cópia da primeira e terceira partes. O rei D. Duarte foi um dos seus leitores assíduos, citando-a diversas vezes no Leal Conselheiro . O Livro das Confissões é um testemunho autêntico e raro da sociedade medieval peninsular e é um documento indispensável para a compreensão histórica, cultural e social desse período histórico.
    Diz o autor no Prólogo: «Rogo a ti ledor que achares em ti ciência de letras que não mordas nem desprezes esta pouca esmola tirada das santas escrituras em língua comunal. Não para ti, farto de ciência, mas para os outros famintos dela, por aqueles que não saíram ao rastrolho da escola a colher as espigas da escritura, que possam haver ao menos em suas casas os grãos do trigo limpo sem palhas e sem arestas de disputação. Onde não fica escusa aos que dizem que são fracos para trabalhar, ou rudes para aprender, ou pobres para ir buscar a ciência para si e para as outras almas salvar. Ca em este livro podem com trabalho de pouco estudo aprender da doutrina da vida para as almas salvar, quanto per estudo de letras não podem saber, ca havemos em ele o que por muitos trabalhos e por muitos anos e por muitos mestres e por muitas ciências não puderam passar.»

  • O conjunto de textos que agora se apresenta ao leitor resulta de um colóquio (O Literatic, I Congresso de Literatura Infantojuvenil e Novas Tecnologias, realizado no auditório do Parque de Exposições de Braga nos dias 7 e 8 de maio de 2011) que pretendeu pensar a tecnologia em contexto escolar e literário. O mesmo é dizer, analisar o modo como as novas linguagens e literacias digitais e tecnológicas interagem com as (e se incorporam nas) narrativas infantojuvenis. Mais especificamente: verificar a maneira como (e em que contextos) a literatura (privilegiadamente) destinada a crianças e jovens é capaz de dialogar com objetos tecnológicos, com consequências muito assinaláveis nos domínios da legibilidade e da arquitetura dos conteúdos lúdico-literários, sem esquecer esse aspeto crucial que consiste na renovação dos cenários e suportes de leitura.

  • Portugais Sonetos

    Florbela Espanca

    Ser Poeta é ser mais alto, é ser maior
    Do que os homens! Morder como quem beija!
    É ser mendigo e dar como quem seja
    Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!

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